Body positive: como diferenciar aceitação de acomodação

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Está em alta um movimento chamado body positive. Se você ainda não ouviu falar ou tem dúvidas a respeito, esse post é a oportunidade de saber mais sobre o conceito, que tem como objetivo se amar mais, independentemente do formato do corpo.

Quando a sociedade, de forma geral, idealiza a beleza nos moldes de uma pessoa magra, acaba excluindo do padrão estético as que estão acima do peso. Ou seja, se a mulher ou homem pesa alguns quilos a mais do que se considerada “normal” – e, por “normal”, leia “corpo de modelo” –está, automaticamente, fora dos padrões e corre o risco de sofrer discriminação em vários segmentos da sociedade. Não estamos falando só de ser ou não ser considerado/a bonito/a, mas, também, de não conseguir se recolocar profissionalmente ou encontrar uma roupa que lhe agrade, no seu tamanho.

Estivemos por anos debaixo desse guarda-chuva social, até o surgir o movimento body positive, conceito que promove o amor próprio e um olhar positivo em relação à sua própria imagem e, também, à dos outros.

Isso quer dizer que você pode amar as suas celulites e não ter vergonha de mostrá-las, ou não ter corpo de modelo e, ainda assim, saber que tem um corpo de verão, pois para ter um corpo de verão é preciso estar no verão e ter um corpo. Além disso, o fator body positive estimula o indivíduo a não se diminuir por ser magro, gordo, musculoso ou flácido.

A diferença está entre levar mais em consideração o que você espera do seu próprio corpo do que o que a sociedade espera de você.

O resultado desse movimento, aos poucos, começa a gerar frutos – inclusive na moda, que é um dos locais onde os padrões de beleza foram moldados em critérios restritivos. Atualmente é possível encontrar marcas que investem no tamanho plus size e muitas modelos que fazem sucesso no mundo da moda justamente por estarem fora do padrão magérrimo.

Os dois lados do Body Positive

Mas, como tudo na vida tem dois lados, o body positive também tem uma vertente desfavorável. Ter a plena consciência das suas características físicas e saber que você não tem nenhuma obrigação de se encaixar em um estereótipo de beleza é libertador.

Contudo, deixar que a gordura se instale no seu corpo de maneira indiscriminada, sem levar em consideração os limites do seu organismo para com esse processo inflamatório, pode significar perda de autocontrole, em vez de ferramenta de protesto.

Em outras palavras, é preciso, sim, aceitar seu corpo, mas colocar sempre sua saúde em primeiro lugar. Portanto, se você estiver gordo demais ou magro demais e seus exames não mostrarem um equilíbrio saudável do funcionamento das células e dos órgãos, é hora de dar uma chance à ajuda médica para transformar a aceitação em processo de saúde e bem-estar.

Nessa hora, muita gente fala: “mas, Guilherme, quem critica os gordos não está, necessariamente, preocupado com a saúde deles; está praticando mais a gordofobia do que a empatia”. Concordo: tem muita gente no mundo que só quer criticar, assim como tem muita gente gorda que não está com a saúde em risco, e muitos magros que não estão anoréxicos.

É por isso que defendo a aceitação e a autoestima aliadas ao acompanhamento do nutrólogo. Eu, por exemplo, jamais tratarei os pacientes com base em fobias ou preconceitos, e sim com base nos exames físicos. Se uma pessoa gorda me procura porque quer emagrecer e seus exames não estão de acordo com o esperado para sua idade, vou ser mais rígido no tratamento.

O número de pessoas gordas no mundo é alarmante e tem se transformado em um dos maiores problemas de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso, e mais de 700 milhões sejam obesos.

A gente sabe que a obesidade não é só uma questão de estética, mas de saúde. Afinal, quantas consequências essa gordura em excesso pode trazer ao nosso organismo? Hipertensão, problemas cardiovasculares, suor excessivo, dores na coluna e nas pernas, cansaço e até limitação dos movimento.

Isso quem diz não sou eu, é a ciência.

O fato de você aceitar o seu corpo do jeito que ele é não elimina o fato de você se cuidar mais, evitando assim, sérios problemas de saúde. Por isso, é preciso colocar luz à diferença entre se amar mais versus se acomodar.

É verdade que devemos nos amar vestindo 32 ou 55. Ter a autoestima elevada é um fator essencial para que todos possam sair às ruas sem culpa por não ter um corpo a la Gisele. Contudo, aceitar essa condição dizendo não à saúde é uma atitude pouco generosa.

O conceito body positive pode trazer a liberdade quanto aos padrões impostos, mas a discussão deve ir além. Afinal, o melhor body positive de todos é quando você tem um corpo que ama, em qualquer forma que lhe agrade, e ele é saudável.

Essa é a única combinação que pode fazer com ele dure por mais tempo.

Se você precisa perder peso devido a problemas de saúde, não se acomode e vá à luta: pratique exercícios físicos, tenha uma alimentação mais saudável, evite os açúcares e tome muita água.

Essa rotina não é fácil, e é por isso que o acompanhamento médico é indispensável. Tenha em mente que o nutrólogo não é apenas aquele que vai ver seus exames, puxar a orelha e ser o carrasco da sua cozinha: ele vai te ajudar a ter o corpo que ama, com bastante saúde e estar ao seu lado para dar força quando você precisar de ajuda.

Quer entrar de corpo e alma no conceito body positive? Venha bater um papo comigo. Estou à sua disposição para tirar dúvidas sobre ter um corpo com mais saúde e energia.

Entre em contato com a gente e agende sua consulta.

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